segunda-feira, 24 de março de 2008

O camponês que virou presidente.


Refiro-me a Evo Morales e sobre ele já escrevi antes, tal como se vê: Mini-biografia de Evo Morales e Morales parece el contador de Chávez. , dentre outros.
Agora chegou a hora de se fazer um balanço inicial de sua tumultuada gestão, de pouco mais de dois anos, tratando apenas da questão a seguir.
Era seu máximo objetivo editar uma nova carta magna para seu país. Para tal foi eleita uma assembléia constitucional exclusiva, que teria o prazo de um ano para elaborá-la. Durante todo ele, os constituintes se digladiaram entre si e nada produziram; afinal, a situação dispunha da maioria absoluta, mas precisava de 2/3 dos votos dos seus componentes para votar e aprovar os dispositivos constitucionais, na forma da lei de sua convocação. E os votos que faltavam estavam nos partidos oposicionistas. Diante disso, por lei posterior do Congresso boliviano, os trabalhos foram prorrogados por mais alguns meses. Quando estes estavam para se findarem o panorama continuava igual – nenhum simples artigo fora votado. Porque? Nunca houve acordo entre oposição e situação, fechando-se cada qual em torno de suas posições. Ficando evidenciado, que aquela nas circunstâncias queria, que a constituinte fosse dissolvida e uma outra fosse eleita; ali, estaria uma nova oportunidade para ela ser maioria.
Neste impasse, a situação, que tinha a presidência, a maioria absoluta dos deputados e um texto prévio ao seu gosto, não teve dúvidas e forçou a barra. Aproveitando alguns tumultos populares, que ocorriam na velha cidade de Sucre, aonde ela estava sediada, transferiu os trabalhos legislativos para uma escola militar ali sita, aonde foi modificado o regimento interno da casa, prevendo-se que os 2/3 seria dos presentes e não do total da assembléia (algo claramente ilegal); e depois a ilícita transferência dos trabalhos para o Departamento de Oruro, que era governista, o que permitiu sua aprovação por aclamação em curiosas cenas, que lembravam as reuniões dos antigos indígenas pré-colombianas. Fato comprovado pela foto, que acompanha este texto.
Ora, tais mudanças eram ilegais e viciaram de tal maneira as votações, o que tornou nula sua aprovação, sendo de se concluir que inexiste novo texto constitucional neste país, pois o aprovado é nulo de pleno direito.
Uma pessoa civilizada dirá que o assunto poderá ser resolvido na Corte Constitucional, que funciona na Bolívia. É verdade, desde que esta possa se reunir, o que não é possível, pois face às claras manobras anteriores da presidência do país, aquela corte está sem juízes em número suficiente para julgar qualquer causa, e por isso, absolutamente inoperante. Dependendo do Legislativo para que este complete o seu quadro de magistrados, ora insuficiente. Sendo a câmara dos deputados dominada e manobrada por Evo Morales e seus asseclas, que manterão a situação atual, enquanto esta lhes convier.
Por ora, o texto constitucional que foi produzido nada vale. A oposição não pode questionar sua validade na justiça competente. E o governo arbitrário, também não está conseguindo leva-lo a referendo popular, pois para isto a Corte Nacional Eleitoral (CNE), outro órgão judicial, exige que o congresso convoque aquela consulta, obedecidas as formalidades legais. O que já foi feito, porém, desobedecendo-as, fato detectado pela CNE.
Parece um grande obstáculo, mas na Bolívia, o Judiciário não é respeitado, nem suas decisões são obedecidas. Os juízes não são de carreira, nem são vitalícios, e estão sujeitos ao arbítrio do Executivo e Legislativo. Por isto é bom acompanhar, para ver que nova matreirice será feita pelo governo, cujo chefe é apenas um camponês e bastante iletrado, que menospreza as leis e os legisladores. Preferindo o governo indígena pré-colombiano, no qual os chefes decidiam todas as questões de maneira absoluta.
Enquanto isto, a inexistência da nova constituição e o descrédito da atual se refletem em toda a vida da Bolívia, inclusive na sua economia, despertando sérias desconfianças de investidores estrangeiros, que não vêem segurança jurídica para suas aplicações de médio e longo prazo. O que é péssimo para um país, que não dispõe de nenhuma poupança interna para tal. Fora similares repercussões negativas nos investidores internos, estes ainda mais atormentados pelos acontecimentos.

Fonte da foto:
Rudovski, Noah Friedman em The New York Times.
http://www.nytimes.com/2007/12/15/world/americas/15bolivia.html?pagewanted=2&_r=1
Acesso em: 15/12/2007.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Carnaval fora de época na Venezuela.


Os primeiros acordos da ALBA (Alternativa Bolivariana para a América) foram assinados entre Cuba e Venezuela em dezembro de 2004, mas o grupo só foi formalizado em abril de 2005. Em 2006, a Bolívia se juntou aos primeiros membros e, em janeiro deste ano, foi a vez da Nicarágua. A ilha caribenha de Dominica se incorporou ao bloco na sexta “cumbre” celebrada em Caracas.
Em suma é uma aliança envolvendo países da América do Sul e Central, cujo sócio mais importantes é a Venezuela, pela sua riqueza petrolífera. E que surgiu como um contraponto a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), promovida pelos Estados Unidos. No dia 26 deste mês realizou-se a sexta Cúpula Presidencial da ALBA, em Caracas, e ali foi fundado o Banco da Alba, um ente financeiro alegadamente destinado a melhorar as condições sociais dos 53 milhões de habitantes do grupo. O capital inicial subscrito é de U$ 1 bilhão e o capital a ser integralizado será de U$ 2 bilhões. As contribuições acionárias de cada país correspondem a uma análise individual dos países membros com base em suas possibilidades.
Conforme o ministro venezuelano das Finanças, Rafael Isea, ele será submetido a definições políticas e não a definições econômicas e financeiras, o que o diferencia do sistema financeiro internacional. O acordo estabelece um mecanismo aparentemente democrático de tomada de decisões, em que cada país representa um voto, independente do capital acionário de cada um, também explicou Isea. Em dois meses, a instituição deverá estar completamente formada, com plataforma de recursos humanos, plataforma tecnológica, financeira e legal e mecanismos internos de decisão. Os ministros das Finanças inauguraram na mesma ocasião a sua sede em Caracas.
Em princípio, parece mais uma forma de canalizar recursos da Venezuela para seus novos aliados, assim sustentando os falaciosos planos de Chávez nas Américas. Excluída a Venezuela os restantes sócios são países pobres ou empobrecidos famélicos de recursos econômicos baratos. O mais curioso foi a foto tirada dos chefes de Estado ou de seus representantes (caso de Cuba), que mostra seus participantes, um grupo de figuras mal ajambradas e com faixas coloridas nas cores nacionais de cada país, tendo por fundo um local mesquinho para uma reunião internacional deste nível. Que lembra muito um carnaval fora de época e numa periferia qualquer! Vejam a sua reprodução neste artigo, cuja origem é a fonte abaixo.

Fonte:
Acesso naquela data.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Hugo Chaves parece o Rei Ricardo, Coração de Leão.


Já escrevi sobre a Venezuela e Chávez na postagem Gasolina na Venezuela a sete centavos de dólar o galão! Mas aqui irei desenvolver melhor a citada figura humana, comparando-o a um monarca da Idade Média – o Rei Ricardo I, da Grã-Bretanha, que também possuía terras próprias na França. Eu os acho parecidos, pois os dois gostavam de tratar de pequenos assuntos ou se meter em questões alheias as suas principais obrigações, as quais acabavam esquecidas.
Ricardo governou brevemente seu país, uma herança do pai. Mas abandonou tudo para ir a III Cruzada, que visava especialmente conquistar Jerusalém. Viajou ao Oriente Médio e na lenta viagem de ida envolveu-se em vários combates. No destino pelejou muito, mas pouco obteve, ficando Jerusalém incólume, e voltando a sua terra praticamente de mãos vazias. No retorno ainda foi aprisionado por um adversário europeu e teve que ser resgatado por uma quantia imensa, que foi paga por seus súditos. Nos seus domínios franceses lutou contra o seu principal adversário, Filipe Augusto, rei da França, e teve vitórias contra ele, pois era bom combatente. No fim, por uma pendência menor com um pequeno súdito que tinha na França, acabou alvejado por uma seta de besta, falecendo ainda moço. Desperdiçou sua herança, pouco governou os ingleses e quando o fez não se saiu bem e, ainda morreu moço por uma questão de somenos.
Chávez, um anônimo militar da Venezuela, ascendeu à presidência de seu país e ali se mantêm de maneira autoritária e paternalista. Trata a Venezuela como um pote de ouro, que conquistou. Não aproveita os imensos recursos econômicos do petróleo para desenvolver seu país. Este não produz a maioria de seus alimentos, enfrenta forte inflação, sua moeda muito desvalorizada foi apenas maquiada, é assolado pela corrupção, tem muita pobreza na população, etc. E Chávez ao invés de governar, corre o mundo, exibe-se como uma “prima dona”, interfere em tudo o que aparece fora da Venezuela, ofende outros chefes de estado, ignorando a cortesia diplomática e malbarata o que seu país levanta no comércio internacional. Não há dúvidas de que ele vê sua terra, como um pote inesgotável de ouro e trata de gastar seus recursos com ambas às mãos. Para que investir na produção, desenvolver uma educação e saúde de qualidade para seu povo, estabilizar a moeda e amealhar fortes reservas internacionais. Isto é secundário! E o pior - ele não investe bem os recursos do estado e ainda manieta a iniciativa privada, contra a qual sempre se levanta.
A única coisa que o preocupa é manter-se no poder e para tal aplica políticas falaciosas e paternalistas, subsidiando preços de alimentos para os pobres e adotando outras práticas populistas sem valor permanente. Fora isto, busca distrair-se com seus projetos faraônicos e inúteis!
Lembra muito o Rei Ricardo, que só passou à história ligado à lenda de Robin Hood, outro personagem lendário. Lamentável!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Dependência argentina na economia, em relação a Venezuela.


“Inicialmente vou repercutir a matéria de jornal da mídia chilena, para depois comentar. Leiam:

“Venezuela es el país con el que Argentina firmó más tratados en últimos cuatro años”

“52 tratados firmó la administración Kirchner con Venezuela durante su mandato, mientras tanto con Chile se suscribieron 41 acuerdos bilaterales ocupando el segundo lugar”.

“El 61 por ciento de los acuerdos bilaterales firmados durante la gestión del ex Presidente argentino Néstor Kirchner, finalizada en diciembre, fue con países de América Latina y el Caribe, con Venezuela como principal socio, indica un estudio privado. El informe, realizado por la consultora Nueva Mayoría, precisa que Venezuela, gobernada por Hugo Chávez, "no sólo representa el país de la región sino también del mundo con el cual Argentina ha celebrado mayor cantidad de tratados", los cuales suman 52. La cifra representa el 21 por ciento de los tratados bilaterales firmados con países de la región. El estudio analiza todo tipo de convenios bilaterales firmados desde el 25 de mayo de 2003 hasta el 10 de diciembre de 2007, período en el que gobernó Kirchner. La nueva Mandataria argentina Cristina Fernández encabezará una gestión de "continuidad", según entienden los analistas. "El grueso de los compromisos con Caracas fueron comerciales, financieros y económicos en general", sostuvo al diario La Nación Juan Gabriel Tokatlian, profesor de Relaciones Internacionales de la Universidad de San Andrés. De los 398 tratados bilaterales firmados durante la presidencia de Kirchner, 244 fueron concretados con países de la región, mientras que las naciones de Europa y Asia Central suman 86 tratados firmados. A Venezuela le siguen Chile, con 41 tratados celebrados; Bolivia, con 39; Brasil, con 22; Ecuador, con 19; y Paraguay, con 17, puntualiza el informe. Fuera de la región, China e Italia lideran la lista con 13 tratados alcanzados con Argentina, en tanto España concretó 11 y Alemania, 10 EFE”.

Nos últimos anos, a Argentina ficou com sérias dificuldades de obter créditos externos, por ter dado “calotes” nos seus credores estrangeiros. Num deles, ela driblou pequenos investidores reunidos em fundos de aplicações feitas no país, pagando aos que aceitaram pequena parte de seus créditos e deixando os demais a verem navios. E ainda está em moratória com o Clube de Paris, e terá que pagá-lo, de um jeito ou de outro. Isto tudo deixou o nome do país “sujo”!
Foi ai que surgiu o “anjo bolivariano” – Hugo Chávez. Que adquiriu novos títulos argentinos, financiando assim o déficit de caixa do país libertado por San Martin. Estas aplicações venezuelanas explicam alguns dos múltiplos laços estabelecidos neste período entre os dois países. Expressos em 52 tratados, num total de 244 efetivados com estados latino-americanos. Cháves deve ter ficado feliz!

Fonte:
La Tercera – Santiago – 06/01/2008.
http://www.prensaescrita.com/diarios.php?codigo=CHI&pagina=http://www.tercera.cl
Acesso em: 06/01/2008.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

O que se espera na Bolívia em 2008.


Inicialmente vou apenas repercutir o texto a seguir sobre o tema. Leiam:

“El año de crisis de Evo en el contexto internacional”
“INFORME. La agencia France Presse, en un informe, destaca los conflictos que caracterizaron este año para el país; Bolivia. Señaló la Constitución aprobada por el partido oficialista, y los estatutos autonómicos de cuatro regiones, como los ejes de la discordia entre las regiones en Bolivia. Destaca también la influencia de Venezuela en el Gobierno boliviano, así como el acercamiento de Morales con su par iraní, Mahmud Ahmadinejad.
El presidente boliviano Evo Morales, ha vivido un año plagado de dolores de cabeza en su intención de refundar el país, a través de una Constitución que logró hacer aprobar, pero que seis de los nueve departamentos del país, y en todo caso los más ricos, no aceptan, según el reporte de la agencia France Presse.Tras un 2006 que finalizó en la gloria tras lograr una nacionalización de los hidrocarburos que fue aplaudida por todos los sectores en el país, Morales se lanzó en el 2007 en la profundización de un modelo de izquierda que chocó con las regiones más prósperas del país.El proyecto de Constitución, aprobado el pasado 9 de diciembre sin presencia de la oposición, sin debate y con muchas críticas, abrió una brecha mayor en la relación con seis de los nueve departamentos del país; Santa Cruz, Tarija, Beni, Pando, Chuquisaca y Cochabamba, nada dispuestos a aceptar un modelo y más bien decididos a imponer el propio.Cuatro de esos departamentos empujaron más su oposición, anunciando el pasado 15 de diciembre que declaraban sus Autonomías mediante estatutos en que se otorgan prácticamente todas las facultades que antes le pertenecían al Gobierno central, salvo la Defensa y las Relaciones Exteriores.El final de año encuentra a Bolivia, el país más pobre de Sudamérica, en una polarización entre un Gobierno que esgrime una Constitución que la oposición considera ilegítima, y unos departamentos que claman por una Autonomía declarada según el Gobierno de forma ilegal, una situación que a las buenas o a las malas tendrá que desempatarse en el 2008.Y para dirimir el impasse se anuncian 11 referendos, incluyendo uno que resuelva si Morales y los Gobernadores se quedan en el poder, en que cada parte busca que sea el pueblo el que legitime sus propuestas.Para la socióloga María Teresa Zegada, “resulta paradójico, y a la vez curioso, buscar la legalidad de los actos cuando, de un tiempo a esta parte, el respeto a la ley ha pasado a un lugar secundario frente a la lucha política y social''. Parte importante de esta disputa es la presencia cada vez más desembozada de Venezuela en Bolivia, en apoyo del indígena Morales.La ayuda financiera de Caracas o las declaraciones del presidente Hugo Chávez (que amenazó con instaurar en Bolivia un ''Vietnam de las ametralladoras'') le han dado pasto a la oposición de derecha para hablar de un claro intervencionismo.La irritación que provoca esta situación quedó simbolizada en el apedreamiento en un aeropuerto del norte del país (Riberalta-Beni) de un avión venezolano que acababa de aterrizar, y que sus pilotos hicieron partir de urgencia para evitar que fuera destruido.La alianza de Evo Morales con Chávez ha implicado también un distanciamiento de Bolivia con Estados Unidos, país con el cual las fricciones se han multiplicado. De paso, Washington vio con enorme desconfianza una visita a La Paz del presidente iraní, Mahmud Ahmadinejad. Bolivia vivió entonces en el 2007 un año en conflicto, en una situación que debería resolver en el 2008, aunque varios analistas se muestran escépticos de que el desenlace sea pacífico".

Não poderia de deixar de fazer um breve comentário. Morales assumiu seu cargo em 2006 e com o apoio econômico de Hugo Chávez, lançou-se a realização de reformas econômicas e políticas para refundar legalmente o país. Editou uma constituição desamparada da legalidade e terá que faze-la ser aprovada em referendo popular. Aceitou submeter seu mandato a outro referendo, que poderá destitui-lo de seu cargo, na esperança de assim derrubar do poder aos seus adversários, que governam os departamentos bolivianos. Os dirigentes destes em reação a política do presidente, editaram estatutos para reger seus governos, aumentando os poucos poderes que possuem e se apropriando de parte daqueles que tem o governo central. Mas estes ainda terão que serem referendados pelo povo de cada um deles; e isto após uma série de formalidades legais ora em curso.
Ou seja, neste ano que se iniciou, a população do país decidirá em votos, o que quer para ele. Não é má solução, aliás, é a mais democrática. Bem se sabe, que processos eleitorais, quase sempre são viciados pela coação, pela fraude e pelo poder econômico. Espera-se, que aqueles que virão na Bolívia expressem da melhor maneira possível os sentimentos de sua população.

Fonte:
La Estrella del Oriente - martes, 25 de diciembre de 2007.
http://www.prensaescrita.com/diarios.php?codigo=BOL&pagina=http://www.laestrelladeloriente.net
Acesso em: 26/12/2007.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

PARCIAL RETOMADA DOS INVESTIMENTOS DA PETROBRAS NA BOLIVIA.


Os presidentes Lula e Morales encontraram-se em La Paz, no dia 17 deste mês, para participarem de reunião com a finalidade antes referida. Já no dia anterior eles haviam se reunido com a presidenta do Chile para tratarem de outra questão: EL CORREDOR BIOCEÁNICO. Sobre este acesse matéria neste blog. Houve outros temas, mas o principal foi aquele da Petrobrás com a YPFB (uma pequena empresa estatal do país), que representa o estado nestes negócios, no qual se anunciou o retorno dos investimentos daquela megaempresa neste país.
Consoante a multinacional brasileira, ela e a YPFB, “assinaram comunicado conjunto prevendo novos investimentos para aumentar a produção de gás natural na Bolívia. Em parceria com seus sócios, a companhia estima que poderá investir entre US$ 750 milhões e US$ 1 bilhão, a depender dos resultados a serem obtidos na exploração de novas áreas. O documento foi assinado durante cerimônia no Palácio Quemado, na presença dos dois presidentes. As empresas firmaram também acordo para a capacitação técnica de recursos humanos para a indústria petrolífera da Bolívia. Foram definidas ainda as linhas gerais para a execução conjunta de projetos de exploração nas áreas de Carohuaicho, Astillero e Cedro, com possibilidade de constituição de uma Sociedade de Economia Mista”.
Segundo a mídia brasileira, por ora, apenas US$ 300 milhões estão certos e serão usados para ampliar a produção de gás nos campos de San Alberto, San Antonio e Ingre. A estatal obteve o compromisso de que poderá vender a maior parte de sua produção nos novos contratos ao mercado externo, e que ela concorrerá com um teto de 18% de sua produção para o abastecimento do mercado interno. A venda neste é mal vista, mas necessária, pois os preços internos são baixíssimos. Produto de uma espécie de tabela ali aplicada por ordem governamental. Mais uma das fantasias econômicas da Bolívia!
Na mesma ocasião, a Petrobrás e a YPFB chegaram a um acordo final sobre a fórmula de pagamento dos líquidos contidos no gás natural comprado pela primeira, por um valor entre US$ 100 milhões e US$ 180 milhões por ano, conforme Ata de Brasília, de 14 de fevereiro de 2007; eles serão pagos pela Petrobras a partir de 2 de maio de 2007, que foi a data em que entrou em vigor o acordo de intercâmbio. Isto era um “rabo” entre ela e a Bolívia, que previa um pagamento extra pelo GLP e gasolina branca, que vinham misturados ao GN fornecido; este com um valor mais baixo e aqueles, com um preço internacional próprio mais elevado. Que agora importará no citado valor anual. Algo razoável para os dois países.
E a mídia boliviana como reagiu? Com enorme satisfação, servindo de exemplo a seguinte matéria: “Las informaciones ofrecidas en medio de las ceremonias protocolares son más optimistas que las frías cifras ofrecidas por el presidente de la empresa brasileña, José Sergio Gabrielli. Los anuncios hechos al calor de los discursos mencionaron la cifra de 1.000 millones de dólares, pero Gabrielli dijo que se llegará a ese monto poco a poco, en varios años, si es que los primeros trabajos lo justificaran”. Corretamente o mesmo jornal lembrou: “De todos modos, se trata del primer anuncio de una inversión importante que se hace en el sector petrolero desde que se produjeran aquellas ceremonias de toma del campo San Alberto, en mayo del 2006, con que comenzó el proceso de cambio de los contratos. El incremento de los impuestos que llegó con el cambio, pero sobre todo la decisión de que las empresas sólo debían dedicarse a prestar servicios a YPFB, vino a frenar en seco las inversiones, como se pudo observar luego con el estancamiento de la producción”. E não deixou de destacar: “En efecto, la empresa estatal venezolana PDVSA ofreció hace dos años invertir 1,5 millones de dólares en el sector petrolero boliviano, pero todavía se hace esperar. Otras ofertas de inversión, menos precisas que la de PDVSA, como la de la argentina Enarsa, también decepcionaron. En semejante panorama, el anuncio de Petrobras es una bendición. Todo indica que el Gobierno boliviano debió hacer algunas concesiones a la petrolera”. E rematando relembrou os resultados da chamada “nacionalização dos hidrocarbonetos”: “... la falta de inversiones petroleras obligó a Bolivia a incumplir compromisos de exportación de gas natural, como es el caso del contrato de venta de 2,2 millones de metros cúbicos diarios a la planta termoeléctrica de Cuiabá, en Brasil, y como es el hecho de que en este momento las exportaciones a Argentina están por debajo de los niveles convenidos. Ahora se aproximan compromisos todavía mayores de exportación y estaba en juego el prestigio del país como proveedor de gas natural. Las exportaciones a Argentina deben pasar de 7,7 a 27,7 millones de metros cúbicos diarios en el lapso de dos años, para lo cual es imprescindible duplicar los volúmenes de producción que se tiene en este momento”. Expressando que “las futuras inversiones de Petrobras podrían alentar a otras empresas extranjeras a operar en Bolivia. El Gobierno nacional se ha comprometido a respetar las reglas de juego para favorecer la llegada los recursos que el país necesita para poner en movimiento sus potencialidades económicas”.
Por este artigo, vê-se que na Bolívia existem pessoas inteligentes, que assim divulgando na imprensa o que ocorreu, bem demonstram a estupidez de um governante, que por mero preconceito molestou e ainda escorraçou uma grande empresa investidora, acreditando que seu “padriño”, Hugo Chávez o iria socorrer, quer diretamente, quer através da Argentina. O que não ocorreu, deixando o pequeno país sem condições de cumprir novos compromissos exportadores, levianamente assumidos pelos “aloprados” do mesmo governo. Sobre isto já escrevi antes: Vamos começar do zero? (leiam neste blog). Representando o investimento brasileiro, ora anunciado, um limitado incentivo para que outras empresas estrangeiras também o façam.
Ainda durante o evento, Lula e Evo trocaram elogios nos discursos que fizeram. Lula prometeu ajudar a Bolívia em áreas como educação, energia, agricultura e defesa e ainda por diversas vezes comemorou o fato de ambos os países não terem se afastado, apesar das pressões na época da nacionalização dos hidrocarbonetos. O que não surpreende, pois Lula não só é um sonhador, como também gosta de comemorar por antecipação.
Aqui no Brasil a mídia proclamou que “prometer investimentos numa situação tão incerta é no mínimo precipitado (sendo melhor) adiar essa decisão até que o cenário na Bolívia se desanuviasse”. Uma justa preocupação, mas que na realidade não é procedente, face ao baixo valor dos investimentos da Petrobrás na Bolívia para 2008.
A empresa anunciou há pouco seu orçamento para investimentos para 2008, que prevê a alocação de R$ 54,9 bilhões, cabendo a área Internacional uma fatia de R$ 6,828 bilhões; dos quais 32% nos Estados Unidos, 30% na América Latina, 19% na África, e os 19% restantes nos demais países. Neste contexto, apenas trezentos milhões de dólares na Bolívia é muito pouco. Mas é o que Evo Morales e seus “aloprados” mereceram!
Para os brasileiros o mais alentador é saber, que a Petrobrás destinou R$ 5,636 bilhões à área de Gás e Energia; deste total, R$ 3,7 bilhões serão aplicados em gasodutos, R$ 700 milhões em projetos de termoelétricas e R$ 500 milhões em duas unidades de regaseificação de Gás Natural Liquefeito, objetivando-se ainda concluir no próximo ano 1.000 km de gasodutos. O que significa que com isto se diminuirá a dependência brasileira do gás da Bolívia, mediante as futuras unidades de regaseificação, serão ampliados os gasodutos existentes e será criada maior capacidade de geração termoelétrica, para evitar qualquer futuro apagão.
Esperando-se que, o povo boliviano, que merece toda a minha consideração, logre melhorar o seu governo, nele colocando melhores elementos a sua frente, para assim receber o que todos os brasileiros desejam a ele: Paz, prosperidade e ampla distribuição de renda!



Fontes:

Folha de São Paulo Opinião - 18 de dezembro de 2007.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1812200702.htm
Acesso em: 18/12/2007.

Folha de São Paulo Brasil - 18 de dezembro de 2007.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1812200708.htm
Acesso em: 18/12/2007.

Folha de São Paulo Mundo - 18 de dezembro de 2007.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1812200709.htm
Acesso em: 18/12/2007.

La Razón – La Paz – 20/12/2007.
http://www.prensaescrita.com/diarios.php?codigo=BOL&pagina=http://www.la-razon.com
Acesso em: 20/12/2007

Folha de São Paulo – 21/12/2007.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2112200728.htm
Acesso em: 21/12/2007.

Petrobrás.
http://www2.petrobras.com.br/portugues/ads/ads_AtuacaoInternacional.html.
http://www.agenciapetrobrasdenoticias.com.br/materia.asp?id_editoria=8&id_noticia=4315
Acesso em: 26/12/2007.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

EL CORREDOR BIOCEÁNICO.

Em La Paz estão sediados os Poderes Executivo e Legislativo da Bolívia. Apesar da turbulência, que há tempos caracteriza o país andino, havia ali a paz necessária para a visita de dois chefes de Estado: o do Brasil e a do Chile.
Eles se encontraram no dia 16 deste mês, para atos formais de direito internacional. Ali, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Evo Morales, presidente da Bolívia e a presidente chilena, Michelle Bachelet, anunciaram uma estrada ligando os portos de Santos e Arica, passando pela Bolívia. E para tal subscreveram “un Memorándum de Entendimiento denominado “Declaración de La Paz, en el cual los tres gobiernos se comprometen a impulsar la integración regional mediante a construcción del Corredor Bioceánico”.
E o que precisará ser feito para concretizá-lo. A imprensa da Bolívia elucida: “En Bolivia, existen diversos tramos que se encuentran en construcción, las cuales estarían terminadas en el 2008, como en el tramo entre Santa Cruz y Puerto Suárez. En Brasil, no existen tramos pendientes, todos están pavimentados sumando unos 1.300 kilómetros. En el caso de Chile, las rutas también están pavimentadas pero serán arregladas para su mejor uso. Los caminos chilenos de Huara-Colchane y Arica-Tambo Quemado, son los que formarán parte del corredor y que serán refaccionados. ...omitido... Para concluir el tramo boliviano, el que mayor inversión requiere, se gastarán mas de 400 millones de dólares, los cuales serán cedidos por la Corporación Andina de Fomento (CAF). ...omitido... Según un informe difundido durante el acto, Chile invertirá más de 93 millones de dólares en la conclusión de los tramos que pasan por su territorio y Brasil casi 133 millones en los suyos. Mientras, la inversión prevista en Bolivia alcanza los 752 millones de dólares, 380 de los cuales no tienen todavía fuentes de financiación. ...omitido... Una vez concluido en 2009, permitirá transportar más de dos millones de toneladas de carga por año y unir el Atlántico y el Pacífico en tres días por carretera. ..omitido... En Brasil hay dos ramales, una de 2.225 kilómetros ya pavimentados y se tiene previsto una inversión de 132.86 millones para mejoramiento de esta carretera. El otro tramo que va desde Curumba hasta Santos y San Paulo está pavimentado y en perfectas condiciones”.
Esta a parte técnica e econômica. E a política? Sobre isto disse a imprensa brasileira: “Com seu desembarque em La Paz debaixo de chuva, no domingo, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, disse que talvez fosse portadora de sol. ... omitido... Bachelet se entende com Alan García, do Peru, na criação de contrapontos que reduzam a influência de Hugo Chávez em países latino-americanos. A operação tem inclusive um nome, o de Arco Pacífico. Ele deve reunir países latino-americanos do Pacífico em oposição à Alba, a Alternativa Bolivariana para as Américas de Chávez. A Bolívia, onde é maior a influência do presidente venezuelano, teria se tornado alvo preferencial dos mentores do Arco Pacífico”.
Para mim pessoalmente, eu a vejo como uma belíssima obra, que promoverá o desenvolvimento e a prosperidade nos três países, em especial a tão pobre Bolívia. Será a primeira vez, que haverá uma ligação rodoviária internacional entre os oceanos Atlântico e Pacífico, na América do Sul. E com isto uma abertura direta marítima do Brasil para a Ásia. Espera-se, é claro, que os acordos internacionais a serem traçados, impeçam que, no futuro Evo Morales ou um sucessor, que tenham índole chantagista, venham a transformar o trecho boliviano em fonte de extorsões contra seus usuários internacionais , mediante normas internas absurdas e predatórias.
A conclusão do corredor se dará em princípio no segundo semestre de 2009, tal como anunciado por Lula.
Não se esqueçam, que o Brasil e o Peru tem em construção estrada(s), que cortam este país e que farão o mesmo para os dois países. Embora ali nada se tema de seu presidente, Alan Garcia, que é figura totalmente diferente de Morales e Chávez. Uma vez concluída(s), ela(s) garantirá (ao) o mesmo acesso do Brasil ao Pacifico e a Ásia. Sobre isto leia neste blog: Boas relações políticas e econômicas entre Brasil e Peru.

Fontes:

CARLOS, Newton. Folha de São Paulo - Mundo. Edição de 18 de dezembro de 2007.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1812200711.htm
Acesso em: 18/12/2007.

El Diario – La Paz – 18/12/2007.
http://www.eldiario.net/
Acesso em: 18/12/2007.

Jornadanet.com – La Paz - 18/12/2007.
http://www.prensaescrita.com/diarios.php?codigo=BOL&pagina=http://www.jornadanet.comAcesso em: 18/12/2007.